A “Fraqueza” de Obama no Mercado Global da Opinião

Barack Obama, de acordo com determinada visão, quanto a mim bastante apressada pela necessidade, comercial e civilizacional actual, do post e do perpétuo comentário; principalmente por uma facção, embora não só, mais interessada: parece ter sido, em primeiro mandato, um “líder fraco”. Dado à palavra. Ao discurso. Ao sermão. Não tanto à “decisão”. Isto: apesar de um, bem “político”, perverso e contínuo, bloqueio por parte de congressistas republicanos. Objectivo: “Paralisar primeiro. Culpar Depois”. Para uma, larga, camada da população, representada por esse centro de infestação denominado por Fox News,  nada disto interessou. É que não obteve um, mais visivel, “resultado imediato”.

“Um líder fraco”: segundo a lógica, míope, mais ou menos generalizada da indústria informativae do ecrã omnipresente. Do sound bite. Da pose. Do gesto. Do, bem “americano”, “murro em cima da mesa”. Mentalidade que radica – se quisermos ser, unicamente, “objectivos” – no favorecimento, social, da cultura “económica”, embora precária, do “curto- prazo”. Que avalia – soluça – e carimba tudo apressadamente. É feed, ininterrupto, de lados B. O pormenor é dado “desinteressadamente”. Não tanto desenvolvido e integrado: compreendido. Apesar da disponibilidade do link: o contexto – a demora na explicação; numa real percepção do momento político – prende, durante “muito tempo”, o leitor à mesma página. E as receitas publicitárias, cada vez mais disseminadas – são criados, por dia e apenas através do WordPress, cerca de 100.000 blogues – valem, por esta razão, cada vez menos. “É preciso”, por isso, acelerar. Mesmo que tal signifique: não perceber.

Porque não, já agora, encurtarmos, em nome da “competitividade”, o tempo de governação? Para que possa, desta forma, adequar-se melhor à rapidez com que a “informação” – não tanto o “conhecimento” – tem, agora, que circular? Parece ser, mais ou menos, como o “capitalismo”. Os “dados”, cada vez “mais fora” da dimensão humana, “auto- regulam-se”.

O que poderemos considerar como excrescência é, agora, “conteúdo exclusivo”. Quase tudo é noticiado, espremido e pontuado: “transparency”. Exagerado. Segundo o espírito, multitask, de “eficácia” momentânea. Foi, de facto, uma veloz – quase arbitrária: alguém se dá ao trabalho de a tentar explicar? – mutação de valores.

Algum do “jornalismo- cidadão” perde, assim, moral relativamente ao processo. Na crítica, fácil e usual, ao “sensacionalismo dos média”. Se tudo era generalizado e os jornais metidos no mesmo saco: este ficou ainda maior. Em nome do post formatado para que seja melhor encontrado no motor de busca. Do networking. Da necessidade, “colectiva”, de trabalho – bastante “chinês”: Já começamos a preparar caminho – mal remunerado.

A velocidade determina, assim, a expectativa política. A tolerância relativa ao resultado. Obama é, na minha opinião e apesar de todo o escrutínio, dos drones, erros, impasses e más decisões, um líder mais forte do que aquilo que se tem vindo, normalmente, a admitir. Teve, inevitavelmente, que lidar com um irrealismo de novo tipo. Enfrentar o mercado, alargado, do comentário e da “conversa global”. A isto: gadget oblidge.

Não é, obviamente, uma vítima. Não é que em campanha não o tenha alimentado. Mas em vez da seta apontada, previsivelmente, ao suspeito do costume e com um, mais convincente, olhar em redor: talvez o desvalorizado “yes, we can” tivesse sido iluminado com o outro significado. E esse: é sem dúvida mais abrangente.


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