O Elogio da “Complexidade”

Resolvi, por um instante, empreender num atalho. Fazer, deste, um texto, aparentemente, pessoal. Ponto de partida que é justificação. Que me permitirá, minimamente, “dar a entender”; “fazer uma vontade”. Através do desenvolvimento de um assunto, superficialmente, abordado em artigo anterior.

Alertam-me – às vezes “acusam-me”, pacientemente, de olhar benevolente – devido a um “pecado”, muito actual, de estatuto recentemente elaborado. Não é, contudo, “ofensa” comum. Chega a ser, de facto, bastante evitada: teimo num “demasiado” uso da vírgula, na terminologia “complicada”, na pontuação “exagerada”. Reconheço, mesmo que sem muitas penitências nem grandes chicotadas, que o possa, num relance, parecer. O que poderá incomodar a leitura e a identificação. Mas assim como avalio as observações como sendo de pendor construtivo em intenção – porque me permitem uma consciencialização -: confesso que aquilo que, à partida, ilude como “excrescência” resulta de um “programa”, uma “política”, uma motivação. Moldada com o olhar direccionado a cada caso referido e exemplo, específico, que lhe seja relativo. Fora do terreno do que poderia ser fantasiado: não se trata, com certeza e unicamente, de “uma questão de estilo”. Esta, mais fácil, redução interpretativa. Na verdade: atribuo uma meta precisa a cada expressão, pausa ou “respiração”. Uma entoação que poderá ser aproveitada como sugestão. Mais tarde para uma omissão. Há, aqui, um desculpa para que seja aberta uma porta. Ali: uma interrogação. São hipóteses de futuras questões – espaços não preenchidos – que, por diversas razões, se apresentam, ainda, “inultrapassáveis”, “proibidas”, incipientes. Em favor e benefício de um método de contextualização. Uma ideia, “singular”, de continuidade. Como instrumento, mais eficaz, de interpretação. Desprezando, de alguma forma, a cultura do sound bite; da fragmentação “informativa” e cultural. Não é, por isto, forçoso que tudo seja, imediatamente, “oferecido”. Sob pena de se abrir um caminho, que poderia levar a uma descomplexificação, que eliminaria, parcialmente, o propósito mais alargado do que é transmitido.

Nada disto se relaciona com uma vontade de “imposição”. Pelo contrário: surge de uma libertação. Um “emaranhado” interior iria sempre esbarrar contra limites, insuperáveis, metafóricos e gramaticais. Mais vale aproveitar – já que existem – e , já agora, abusar. Não encontro méritos numa “submissão”. Se não se comunica o espelho possível – o qual será, sempre e apesar de tudo, insuficiente – haverá uma realidade que se perde e – na ânsia de uma aceitação integradora – se perverte. Acolho a primeira opção. Escolho ser, ou não, descortinado por um universo que habito, que posso, minimamente, influenciar, mas que, em última análise, me é, simultaneamente, exterior. Trabalho que deixo para a “arbitrariedade” e o “acaso” de um mundo que não controlo e tenho horror a dominar. Existe uma tentação para o totalitarismo que vem por via da “igualdade”. Mais vale “protestar”.

Não desejo uniformizar o “inconcebível”. Embora nos encontremos numa época de avanço de uma certa “interactividade” –  e, também por isto, de alguma tentativa de manipulação  do que o outro constrói: porque nos destrói? -, erosão da privacidade e perpétua intromissão na esfera individual: não me ocorreu moldar o que me circunda à minha imagem. Chegamos a um entendimento? Tanto melhor. Mas com naturalidade. Que não seja  à “europeu”. Não espero menos de quem leio ou de quem preferiu – decidindo bem – ignorar a minha “pretensão”. É, na realidade, a “estranheza” que, em determinadas circunstâncias, mais lhes admiro. Virou-me as costas? Ainda bem: aposto que me vai dizer algo de significativo. Que o represente. Depreendo, do que não descubro, todo um mundo para lá do que consigo projectar. Um cosmos, seu e colectivo, que,  se a mim fosse reduzido, nunca iria apreender. Que nunca será diminuível a qualquer “indústria de conteúdos” ou “domesticação” literária. Para isto parece-me ser imprescindível alguma neutralidade. Não relativamente ao assunto abordado – já nos basta o “bom senso” -. Mas a ideológicos – por vezes: fanáticos – juízos de valor sobre “legibilidade”. Que fazem tudo por formatar a palavra, o discurso, o significado interior. Transformando-nos em algo pouco definível: “data”, “digito”, “informação”. Há vida e conhecimento para além das necessidades tecno- económicas standardizadoras do espírito de “conectividade”. Num planeta que, agora, não pára de falar, de esbracejar, de “comentar”.

Não percebeu o que quis dizer? Não entendi o que me tentou explicar quando se referiu a um “excesso”? Ao “facto” de não “escrever para a internet? Tanto pior. Ficou a diversidade. Em vez de uma realidade, continuamente, a ter que prestar contas.

Afonso Duarte Pimenta


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